Como é viver na Colômbia? Habitação e Transporte

No artigo anterior fiz uma breve apresentação de Medellín e de Bogotá. Neste artigo de hoje vou explicar melhor como funciona a questão da habitação e do transporte. O que eu explico aqui se aplica, grosso modo, somente a estas duas cidades, mas pode servir para outras cidades da Colômbia também.

Habitação em Bogotá
Se o seu objetivo é morar aqui por uma temporada, tipo fazer um intercâmbio profissional, você pode alugar quartos mobiliados em zonas econômicas entre $450.00 e $750.000 (R$600-1.000) mensais já com os serviços de luz, água e internet incluídos. Como o trânsito bogotano é caótico e a cidade é enorme, o recomendável em Bogotá é sempre alugar o mais próximo possível do seu trabalho para evitar se estressar diariamente com engarrafamento, longos trajetos ou chegar atrasado no trabalho. Se você vem a turismo, prefira áreas próximas do centro histórico, como La Candelaria. Independente se é para morar ou uma estadia mais curta, procure saber também qual o “estrato” do prédio: quanto mais baixo, mais pobre é a área, portanto a infraestrutura e a segurança tendem a ser piores.

Habitação em Medellín
Já em Medellín, como a cidade é menor e o transporte é muito mais eficiente, morar perto do trabalho não é tão fundamental, basta que você escolha uma área segura e próxima à estação do metrô. Os preços em Medellín tendem a ser até mais baratos do que em Bogotá, e você também gastará menos com eletricidade já que o clima dispensa o uso de água quente ou aquecedor.

A maioria dos proprietários pedirá fiador ou alguns meses antecipados para alugar habitação. Sua melhor opção, na falta de fiador ou dinheiro para pagar vários meses adiantados, é se reunir com outras pessoas interessadas em alugar e propor negócio com todos juntos. Isso normalmente torna a oferta vantajosa o suficiente para o proprietário abrir mão da burocracia.

Onde buscar: compartoapto.com, airbnb.com.co e grupos de Facebook, principalmente “Brasileiros em Bogotá” e “Brasileiros em Medellín”. Se estiver se sentindo com sorte, pode buscar em em FincaRaíz.

Transporte em Bogotá
Em Bogotá existem três modalidades principais de transporte: ônibus de linha (SITP), busetas e BRT (Transmilenio). Em qualquer uma delas você vai gastar menos do que no Brasil, entre $1.650 e $2.300 (R$2,25-3,10) por passagem, aproximadamente $140.000 mensais (mais ou menos R$190). Isso é tranquilamente  uns 20%-25% a menos do que gastamos na maioria das capitais do Brasil. Não parece muito, no momento, mas é porque o real está bem desvalorizado frente ao peso colombiano. Numa cotação mais normal, o gasto mensal com transporte estaria entre 30 e 35% mais barato.

Os ônibus de linha SITP só param nos locais indicados nas placas e, apesar de serem mais novos, bonitos e limpinhos que as busetas, apresentam defeitos com frequência. Suas linhas são bem documentadas e acessíveis via mapas, aplicativos, websites, etc. Para utilizar o serviço, é necessário usar um cartão magnético recarregável integrado com o Transmilenio, e o preço é de $2.100.

O Transmilenio é um sistema de BRT que conecta praticamente toda a cidade e é a opção mais fácil e garantida se você não conhece a cidade ou não está familiarizado com o seu destino, pois é a que tem as rotas mais documentadas e acessíveis via mapas, aplicativos, websites, etc., mas os ônibus são lotadíssimos: metrô de Tóquio é fichinha perto de um Transmilenio na hora do rush. A passagem é paga através de um cartão magnético recarregável, e o preço é de $2.300.

As busetas são o caos sobre rodas. São ônibus minúsculos, feios, velhos, apertados, sujos, com uma péssima ergonomia e estado de manutenção. Boa parte dos motoristas são grosseiros, barbeiros, brigões e param em qualquer lugar onde seja fisicamente possível subir ou descer passageiros, e às vezes em locais onde até mesmo essa posibilidade física é questionável. Suas plaquinhas coloridas são um ícone popular, e lê-las de longe com o ônibus em movimento é um verdadeiro desafio. As placas indicam alguns pontos principais da rota, sendo a rota completa um segredo arcano insondável através da internet, só conhecido pelos mais endurecidos bogotanos já passados da meia idade. Mas elas também tem suas vantagens: algumas delas cobrem rotas e destinos (ainda) inacessíveis para os ônibus de linha e o BRT, só aceitam dinheiro em vez de cartão e são mais baratas, custam $1.650 (R$2,25).

Transporte em Medellín
Em Medellín as alternativas são as busetas, o metrô, BRT, bonde elétrico e um excelente sistema de bicicletas públicas. É tanta alternativa que até dá trabalho enumerar todas! As busetas funcionam da mesma maneira que em Bogotá, com a diferença de que em Medellín é menos vantagem usá-las já que o metrô cobre mais rápido e melhor a cidade do que o Transmilenio em Bogotá. Não consegui encontrar online o preço da passagem, mas é certeza que o preço é similar ao de Bogotá e só aceitam dinheiro vivo.

O preço da passagem do sistema Metro de Medellín (metrô, BRT, bonde, teleférico e o que mais inventarem) depende se você está usando o cartão recarregável ($2.125/R$2,85) ou comprando a passagem avulsa ($2.400/R$3,25). O preço é o mesmo independente da modalidade que você usar. O preço aumenta conforme o número e as modalidades de integração que você usar, até um máximo de $3.475, com o cartão e $3.540, sem o cartão (R$4,70-4,80). Na média você deve gastar uns $130.000 (R$175,50) mensais em transporte público. O metrô está integrado com o BRT MetroPlus, o bonde elétrico Tranvía Ayacucho e os teleféricos do Metrocable que são usados para chegar às comunas mais afastadas e ao Parque Arví.

O sistema de bicicletas públicas (EnCicla) é totalmente gratuito, basta você se registrar. Você toma as bicicletas emprestadas por uma hora, devendo devolvê-las em uma estação ao pessoal autorizado. Há estações de bicicletas em várias partes da cidade, principalmente junto às estações do metrô. É um sistema muito prático que, por funcionar paralelo ao metrô, cobre quase toda a cidade.

Resumindo, se você consegue um emprego meia-boca para um estrangeiro, que pague $1.500.000 (R$2.000), você pode esperar gastar entre um terço e a metade da renda em habitação e transporte. Com um salário equivalente em São Paulo, por exemplo, você poderia esperar gastar da metade para três quartos do salário nisso. Como o resto do custo de vida aqui é mais barato, compensa muito mais e mesmo com um salário destes você não vai passar aperto como no Brasil. Se você ganhar mais de $2.000.000 (R$2.700), sobra para poupar, investir ou mandar para a família no Brasil.

Espero que com estas dicas, você consiga ter uma ideia mais precisa de como é vir morar na Colômbia e programar melhor seu plano de imigração.


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