A política imigratória europeia e a “extrema-direita”

Ter ideias que fogem do esquema “social vs. econômico” pode levar você a ser vítima de classificações errôneas e bizarras por quem está acostumado a lidar com tudo dentro deste esquema, o bom e velho “esquerda” vs. “direita”. Por exemplo, se você defende a conservação do meio-ambiente provavelmente já foi acusado de ser esquerdista ou mais especificamente socialista, comunista, etc. Entretanto não há nada na defesa do meio-ambiente que implique que você queira um Estado totalitário e dirigista administrado por um “partido de vanguarda proletária”, ou, pelo contrário, que indique que você quer um Estado mínimo vigilante fazendo valer os direitos individuais e a propriedade privada. As semelhanças com essas duas posições serão meramente acidentais ao seu pensamento, mas os seus detratores usarão elas para culpar você por associação, enquanto os apologistas de qualquer um dos esquemas usarão elas como argumento para cooptá-lo.

A mesma coisa acontece hoje na Europa com a visão demográfica e identitária (ou existencial). A ideia de que as políticas migratórias e de natalidade devem ser feitas de uma maneira tal que não alterem radicalmente a composição étnica e cultural do país são apresentadas como se fossem algo exclusivo da “extrema-direita”, mas qualquer ser humano com um aparato cognitivo funcional poderá chegar nessa conclusão independente do que pense sobre modos de produção e direitos de propriedade. Afinal, para um povo, tão importante quanto a gestão e usufruto dos seus recursos econômicos e ambientais, é a sua continuidade, a sua existência não só no sentido físico e material mas também espiritual e cultural: é irrelevante qual será a política salarial ou os direitos do consumidor daqui a duas décadas se nenhum descendente seu existirá para usufruir deles. Não é à toa que partidos “populistas, xenófobos e de extrema direita” estão ganhando popularidade no Velho Continente: as políticas de imigração e natalidade da União Europeia são praticamente suicidas, e nenhum povo em sã consciência aceitaria a ideia de se sacrificar para ser substituído por outro só para manter boas relações públicas. Política vai além de economia e programas sociais.


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